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Niccolò Gentili em São Paulo, onde apresenta Dov’è la Fiesta?, seu primeiro longa-metragem como diretor.

Cultura

Niccolò Gentili apresenta seu primeiro longa no Festival de Cinema Italiano no Brasil

Em entrevista, o diretor fala sobre comédia, cinema brasileiro e a criação de Dov’è la Fiesta?

O Festival de Cinema Italiano no Brasil   chega à 21ª edição com sessões gratuitas em mais de 80 cidades e 127 salas, além de opções de streaming. Realizado pela Câmara de Comércio Italiana de São Paulo, com a colaboração da Embaixada da Itália, o evento abre sua programação para convidados nesta quarta-feira (4), em São Paulo, com a exibição de Dov’è la Fiesta?, primeiro longa-metragem dirigido por Niccolò Gentili, que está na capital paulista para apresentar a produção. Cineasta, ator e roteirista, Gentili também participou de filmes como Maicol Jecson (2014), La Festa (2013) e Non è una bufala (2018).

Cena do filme Dov’è la Fiesta?

Com o tema “Itália em Cena”, esta edição do Festival de Cinema Italiano no Brasil destaca a influência das paisagens e dos espaços na construção das narrativas cinematográficas. A retrospectiva homônima reúne clássicos nos quais cidades, ilhas e cenários costeiros deixam de ser meros panos de fundo e assumem papel importante no desenvolvimento das histórias e na expressão dos conflitos dos personagens. Antes da estreia, o cineasta visitou o ateliê do estilista Charles Hermann, responsável por assinar o look escolhido para a ocasião.  Em entrevista exclusiva ao site Capital, Gentili fala sobre a inspiração por trás de seu primeiro longa, a relação entre humor e reflexão, a importância de Roma na narrativa e sua experiência no Brasil, onde também estabelece um diálogo com a moda nacional.

Como surgiu a ideia de Dov’è la Fiesta??

A ideia também nasceu de uma experiência pessoal: passei por um roubo de carro. Foi uma situação exasperante, mas, em determinado momento, comecei a enxergar nela algo de cômico. O episódio, por si só, não seria suficiente para fazer um filme. São os personagens, seus desejos e suas contradições que me ajudam a perceber se existe, de fato, uma história a ser contada.

O roubo é o ponto de partida para uma série de situações inesperadas. Como esse episódio conduz a narrativa?

O filme acompanha Leo e Irene, um casal às vésperas do Ano-Novo, que tenta entender o que fazer com a própria relação. A conversa, porém, é interrompida quando o carro de Leo é roubado. A partir daí, começa uma sequência de confusões envolvendo policiais, seguradoras, amigos e familiares. Também atuo no longa, ao lado de Francesco Carril, Linda Caridi, Giorgio Tirabassi e Paola Michelini, entre outros.

O cineasta Niccolò Gentili no ateliê do estilista Charles Hermann, em São Paulo.

Como você definiria o filme?

É uma comédia que procura conciliar apelo popular e olhar autoral. Gosto da tradição da commedia all’italiana, que consegue aproximar ironia e dor. Acredito que, quanto mais sincero e específico é um olhar, maior sua capacidade de dialogar com diferentes públicos.

O humor também pode ser um instrumento de reflexão?

Sem dúvida. Um filme pode nos fazer pensar justamente porque nos emocionou ou nos fez rir. O riso permite que o público se aproxime de personagens e situações que, de outra maneira, talvez parecessem distantes.

Roma também assume um papel importante na construção da narrativa?

Sim. O espaço, a luz e até a maneira como os personagens se vestem ajudam a revelar quem eles são. A estética precisa nascer da história e estar sempre a serviço dela.

Como tem sido sua experiência no Brasil?

Tenho sido recebido com muito carinho. Vejo muitas afinidades entre italianos e brasileiros, especialmente o gosto por contar histórias e encontrar humor mesmo em meio às dificuldades. Do cinema brasileiro, gosto de A Vida Invisível e Cidade de Deus. Também tenho curiosidade de conhecer melhor a comédia nacional.

Você escolheu uma criação do estilista brasileiro Charles Hermann para a ocasião. O que essa parceria representa?

Estou aqui para compartilhar meu cinema e, por meio do trabalho de Charles, tenho a oportunidade de descobrir outra expressão da criatividade brasileira. Gostaria, inclusive, de levar uma de suas criações a uma futura première na Europa.

O que espera que o público descubra ao participar do festival?

Espero que as pessoas saiam das sessões não apenas tendo assistido a um bom filme, mas também descoberto algo sobre a Itália de hoje. Os festivais são fundamentais para aproximar as obras do público. A experiência coletiva do cinema é insubstituível: as risadas são contagiantes, e cada plateia reage de uma maneira diferente.

Serviço: 21º Festival de Cinema Italiano no Brasil

Data: De 5 a 29 de novembro de 2026.

 

 

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