Como você definiria o filme?
É uma comédia que procura conciliar apelo popular e olhar autoral. Gosto da tradição da commedia all’italiana, que consegue aproximar ironia e dor. Acredito que, quanto mais sincero e específico é um olhar, maior sua capacidade de dialogar com diferentes públicos.
O humor também pode ser um instrumento de reflexão?
Sem dúvida. Um filme pode nos fazer pensar justamente porque nos emocionou ou nos fez rir. O riso permite que o público se aproxime de personagens e situações que, de outra maneira, talvez parecessem distantes.
Roma também assume um papel importante na construção da narrativa?
Sim. O espaço, a luz e até a maneira como os personagens se vestem ajudam a revelar quem eles são. A estética precisa nascer da história e estar sempre a serviço dela.
Como tem sido sua experiência no Brasil?
Tenho sido recebido com muito carinho. Vejo muitas afinidades entre italianos e brasileiros, especialmente o gosto por contar histórias e encontrar humor mesmo em meio às dificuldades. Do cinema brasileiro, gosto de A Vida Invisível e Cidade de Deus. Também tenho curiosidade de conhecer melhor a comédia nacional.
Você escolheu uma criação do estilista brasileiro Charles Hermann para a ocasião. O que essa parceria representa?
Estou aqui para compartilhar meu cinema e, por meio do trabalho de Charles, tenho a oportunidade de descobrir outra expressão da criatividade brasileira. Gostaria, inclusive, de levar uma de suas criações a uma futura première na Europa.
O que espera que o público descubra ao participar do festival?
Espero que as pessoas saiam das sessões não apenas tendo assistido a um bom filme, mas também descoberto algo sobre a Itália de hoje. Os festivais são fundamentais para aproximar as obras do público. A experiência coletiva do cinema é insubstituível: as risadas são contagiantes, e cada plateia reage de uma maneira diferente.